Esse blog ficou anos parado. Eu tive minha segunda filha em 2014. Tudo que eu escrevi antes dela eu joguei no lixo por que achava que não era importante. Me arrependo profundamente disso por que lá tinham coisas fantásticas que eu queria que todos lessem. Mas passou. 2017 me mudei pra Portugal. Passei 4 anos maravilhosos por lá. Só que eu perdi o gosto de escrever: eu estava (ainda estou) doente. Muito doente. Veio a pandemia, vieram os problemas e eu resolvi voltar ao Brasil porque meus pais já estão na casa dos 80 e eu queria muito aproveitar isso com eles. Foi quando minha irmã descobriu um câncer. Cuidamos dela até o final. Eu continuei sem escrever mesmo com tanta coisa a dizer. Ela se foi mas toda borboleta que passa por mim eu sinto que é ela dizendo "ó eu tô aqui". Um ano depois eu não aguentei a falta dela, os problemas em casa, os problemas com os amigos, os problemas com o namorado e tomei 250 comprimidos. Eu queria morrer. Eu tenho depressão maior, tdah, transtorno de ansiedade e descobri, ano passado depois da tentativa de suicídio que eu também tenho transtorno afetivo bipolar. Até hoje as crises continuam e eu estou lutando bravamente contra tudo isso. Eu não quero ir para aquela UTI. Foram 18 dias em coma, 30 dias no cti, 3 dias na enfermaria. Desenganada pelos médicos, tratada como milagre por toda equipe médica. Mas ficaram os traumas. A UTI é horrível. Eu fui entubada e desentubada duas vezes até que fizeram uma traqueostomia. Eu perdi o que eu mais amava: cantar. Não consigo mais. Perdi afinação, perdi potência, perdi fôlego. Acabou e eu tenho que lidar com isso. Resolvi canalizar pro que eu ainda não perdi: a capacidade de botar pra fora o que eu sinto e penso, escrevendo. Eu fiquei anos sem pegar numa caneta, logo eu que na adolescência passava o dia todo com uma nas mãos. Hoje vivo sem minhas filhas porque a mais velha se casou e não me chama de mãe porque se sentiu abandonada quando eu fui pra Portugal sem ela e a mais nova ficou em Portugal com o pai porque, obviamente, a vida dela toda está lá. Mas ela me adora, me manda fotos, vídeos, chamada de vídeo no WhatsApp.
Por quê eu tô contando tudo isso? Porque dói. Dói muito. Eu ainda quero morrer só que eu perdi a coragem porque eu tenho pavor de voltar pra aquela UTI. Enfermeiros me tratando mal, eu implorando pra que trocassem minha fralda, sem voz porque eu fiquei mais de mês sem conseguir falar 1 palavra. Eu não quero isso. Há outras formas de me matar mas nenhuma delas mexe comigo. Apenas os comprimidos. Eu tomo 5 remédios diferentes em várias horas diferentes pra suportar a vida. Um dia eu conto meu passado e vocês vão entender porque viver pra mim dói tanto. Eu não valorizo a vida e sempre que algum amigo diz que vai se matar eu digo "que você encontre a paz que busca". Foram 5 tentativas de suicídio na minha vida, mas nenhuma me traumatizou tanto. Fiquei com 3 escaras, uma na cabeça, uma no pé e uma enorme e horrível na região do coxis que, um ano se passou, não se recuperou totalmente e isso foi causado pq as enfermeiras não me mudaram de posição quando eu estava em coma.
Hoje estou começando um novo relacionamento que parece promissor (embora eu não confie na raça Homens), estou voltando a escrever, faço caminhadas duas vezes por dia e comecei a fumar por causa da ansiedade. Eu tô tentando. Eu juro pra vocês que eu tô tentando, mas todo dia que eu acordo eu penso "que merda, mais um dia nessa porra de mundo". Viver dói.
Eu ainda tenho muito pra falar, mas falo outra hora.
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